Glaucoma pode evoluir sem sinais na visão e ser descoberto já em estágio avançado

Exames de visão periódicos permitem identificar o glaucoma e iniciar o tratamento mais cedo. FOTO: Unsplash

Da Redação

A Associação Mundial de Glaucoma calcula que cerca de 80 milhões de pessoas convivem com esta doença da visão em todo o mundo, e o mais preocupante: cerca de metade dos pacientes desconhece o diagnóstico,  percentual que pode ser ainda maior em países em desenvolvimento.

Paulo Sanders alerta que o glaucoma é uma doença degenetativa. FOTO: Gleyson Ramos/Divulgação Oftalmax

No Dia Mundial do Glaucoma, celebrado em 12 de março, ponto alto da Semana Mundial do Glaucoma, o principal alerta é que a doença é silenciosa e, na maioria das vezes só é descoberta numa consulta de rotina com um médico oftalmologista. Ele costuma avançar de forma discreta, especialmente nas fases iniciais e pode se desenvolver durante meses ou até anos sem apresentar sintomas. “O glaucoma é uma doença degenerativa que atinge o nervo óptico, estrutura responsável por levar as imagens dos olhos ao cérebro. Quando a pressão intraocular permanece elevada por muito tempo, pode ocorrer dano progressivo desse nervo, resultando na perda gradual do campo visual”, explica o oftalmologista Paulo Sanders.

Embora alguns sinais possam surgir, como visão embaçada, perda da visão periférica, vermelhidão ocular, sensibilidade à luz,  dor nos olhos e dor de cabeça, o especialista ressalta que, na maioria dos casos, essas manifestações aparecem apenas em estágios mais avançados.

“Muitos pacientes só percebem alterações quando já há comprometimento significativo da visão. Por isso, o acompanhamento periódico é essencial, mesmo na ausência de sintomas”, reforça.

Quem deve redobrar a atenção

Alguns fatores aumentam o risco de desenvolver a doença. Pessoas com histórico familiar de glaucoma, idade acima de 40 anos, alta miopia, histórico de trauma ou inflamação ocular, além de pacientes que fazem uso prolongado de corticoides, estão mais suscetíveis. Doenças como diabetes, hipertensão e artrite reumatoide também estão associadas a maior risco, assim como indivíduos de ascendência africana ou asiática, conforme apontam estudos científicos.

Tratamento contínuo

Apesar de não ter cura, o glaucoma pode ser controlado. O tratamento mais comum envolve o uso diário de colírios para reduzir a pressão intraocular, principal fator de risco para a progressão da doença. “Na maior parte dos casos, o controle é feito com colírios. Também contamos com alternativas como o laser SLT, que pode reduzir a pressão intraocular em até 30%. Em situações específicas, pode ser necessária intervenção cirúrgica”, explica o oftalmologista.

Segundo ele, a adesão rigorosa ao tratamento é determinante para evitar a progressão do dano ao nervo óptico e preservar a qualidade de vida do paciente.

É possível prevenir o glaucoma?

“Quando se trata do glaucoma primário, relacionado ao envelhecimento ou à hereditariedade, não há como impedir o surgimento da doença. No entanto, é possível evitar sua evolução com diagnóstico precoce e acompanhamento adequado. O glaucoma só pode ser identificado por meio de exames realizados em consultas de rotina. Já nos casos secundários, a prevenção passa pelo controle das doenças associadas, como diabetes e hipertensão”, destaca Paulo Saunders.

A orientação do especialista é clara: manter visitas regulares ao oftalmologista, especialmente para quem possui fatores de risco, é a principal estratégia para proteger a visão e reduzir as chances de complicações irreversíveis causadas pelo glaucoma.

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