Da Redação
Celebrado em 12 de maio, o Dia Mundial e Nacional de Conscientização e Enfrentamento da Fibromialgia, chama atenção para uma síndrome que atinge cerca de 3% da população brasileira – a maioria mulheres que, segundo a Sociedade Brasileira de Reumatologia, respondem entre 70% e 90% dos casos. A condição provoca dor difusa e persistente, com impacto significativo na rotina e na saúde emocional dos pacientes.
Apesar da alta prevalência, a doença ainda é cercada por preconceitos e equívocos. Muitas pessoas acreditam que se trata de um problema exclusivamente psicológico, o que pode atrasar o diagnóstico e o início do tratamento. “A fibromialgia é uma condição real e complexa. O corpo sente de forma amplificada porque o sistema nervoso está sensibilizado. Entender isso é o primeiro passo para tratar com eficácia”, explica o médico Humberto Arcoverde, anestesiologista e especialista em Dor pela Associação Médica Brasileira.
Sensibilização do sistema nervoso
A fibromialgia está associada ao fenômeno da sensibilização central, em que o sistema nervoso passa a responder de forma exagerada a estímulos, gerando dor mesmo na ausência de inflamações ou lesões aparentes. A condição pode surgir de forma isolada ou ser desencadeada por fatores como traumas físicos, infecções virais, estresse intenso e distúrbios do sono.
Embora possa atingir pessoas de diferentes idades, é mais comum em mulheres entre 30 e 55 anos. Muitos pacientes enfrentam uma longa jornada até o diagnóstico, justamente pela dificuldade de reconhecimento da síndrome.
Sintomas vão além da dor
Entre os principais sintomas estão dor generalizada em músculos e articulações, fadiga persistente, distúrbios do sono e dificuldades cognitivas, conhecidas como “névoa mental”. Ansiedade e depressão também são frequentes e podem intensificar a percepção da dor. Além disso, formigamentos, dores de cabeça, tonturas e alterações intestinais podem estar associados ao quadro. O diagnóstico é clínico e leva em consideração a presença de dor difusa por mais de três meses e sintomas como cansaço e sono não reparador.
Tratamento é contínuo e individualizado
Embora não exista cura definitiva, a fibromialgia pode ser controlada com acompanhamento adequado e estratégias personalizadas. “Com diagnóstico preciso e abordagem científica, conseguimos controlar os sintomas, melhorar o sono e devolver o prazer de viver sem dor constante”, afirma Humberto Arcoverde, ressaltando que o tratamento é individualizado e vai além dos medicamentos. “Utilizamos terapias intervencionistas, regenerativas e tecnologias que restauram o equilíbrio do corpo e da mente.”
Entre as abordagens estão bloqueios anestésicos para alívio da dor, laser de alta potência com ação anti-inflamatória e regenerativa, o bloqueio simpático venoso, que atua na modulação do sistema nervoso e técnicas de neuromodulação cerebral não invasiva, que ajudam a regular os circuitos relacionados à dor.
A informação é uma aliada importante no enfrentamento da doença. “O reconhecimento dos sintomas e a busca por avaliação médica com tratamentos adequados são fundamentais para reduzir o impacto da fibromialgia e melhorar a qualidade de vida dos pacientes”, destaca o médico, que detém título em Anestesiologia e Medicina Intervencionista da Dor.

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