Da Redação
De acordo com o levantamento, Pernambuco registrou 11.769 casos de sífilis adquirida em 2025, ante 10.950 em 2024. No mesmo período, as notificações de sífilis em gestantes passaram de 4.692 para 5.063. Já os registros de sífilis congênita apresentaram redução, passando de 1.640 casos, em 2024, para 1.576, em 2025.
Os indicadores de 2025 também apontam uma taxa de detecção de 123 casos de sífilis adquirida por 100 mil habitantes e de 44,8 casos de sífilis em gestantes por mil nascidos vivos. Para a sífilis congênita, a taxa de incidência foi de 14 casos por mil nascidos vivos. As informações do Boletim Sífilis 2026 foram atualizados em 31 de agosto de 2026 e estão sujeitos a alterações.
De acordo com a SES-PE, Os dados reforçam a importância de ampliar a prevenção, a testagem e o tratamento oportuno da sífilis em Pernambuco. É uma infecção curável, mas que pode permanecer sem sintomas e, quando não diagnosticada e tratada adequadamente, provocar complicações importantes.
A prevenção da sífilis envolve o uso de preservativos internos ou externos nas relações sexuais, a realização de testes e a busca por atendimento diante de uma possível exposição, mesmo quando não há sintomas. Os testes rápidos estão disponíveis gratuitamente no Sistema Único de Saúde (SUS), inclusive nas unidades de Atenção Primária à Saúde (APS).
A sífilis tem cura, e o tratamento é realizado com antibióticos. Na gestação, o tratamento é recomendado para prevenir a transmissão vertical. Quando há diagnóstico de sífilis congênita, o bebê precisa de avaliação e tratamento específicos, conforme o protocolo clínico. Após o tratamento, é necessário realizar o acompanhamento recomendado pelo serviço de saúde. A cura não confere imunidade, de modo que uma pessoa pode adquirir sífilis novamente se houver nova exposição à bactéria.
Perfil epidemiológico da sífilis adquirida
A análise dos registros de sífilis adquirida entre 2021 e 2025 mostra maior concentração de casos entre adultos jovens. A faixa etária de 20 a 29 anos representa 33,2% das notificações, seguida pelas pessoas de 30 a 39 anos, com 23,3%.
O boletim também destaca diferenças na distribuição dos casos por sexo: 64,7% das notificações ocorreram entre homens e 35,3% entre mulheres. Em relação à raça/cor, pessoas pardas correspondem a 72,4% dos registros.
A sífilis é uma infecção sexualmente transmissível (IST) causada pela bactéria Treponema pallidum. A transmissão ocorre principalmente por relações sexuais vaginais, anais ou orais sem preservativo, quando há contato direto com lesões infecciosas. A infecção também pode ser transmitida da gestante para o bebê durante a gravidez ou no parto.
“Um dos desafios para o controle da doença é que a infecção pode permanecer sem sintomas por períodos prolongados. As manifestações variam conforme o estágio, podendo incluir feridas geralmente indolores, manchas na pele e outros sinais. A ausência de sintomas, entretanto, não exclui a infecção, o que torna a testagem fundamental para o diagnóstico oportuno”, acrescentou Grazielle Vasconcelos.
Pré-natal para evitar a sífilis congênita
Entre os casos de sífilis em gestantes registrados entre 2021 e 2025, 58,7% foram identificados na faixa etária de 20 a 29 anos, enquanto 20,2% ocorreram entre adolescentes de 15 a 19 anos.
A sífilis congênita ocorre quando a infecção é transmitida da gestante para a criança durante a gravidez ou no momento do parto, especialmente se não há tratamento ou se ele é realizado de forma inadequada. “A doença pode provocar aborto espontâneo, parto prematuro, natimortalidade, alterações ósseas, problemas de visão e audição e outras complicações, inclusive a morte do recém-nascido. Além disso, muitos bebês não apresentam sinais aparentes ao nascimento, o que reforça a importância do acompanhamento clínico”, explica a gerente.
Para evitar a transmissão, a SES-PE ressalta o quanto é importante iniciar o pré-natal assim que a gravidez for identificada, realizar os testes para sífilis durante o acompanhamento e repetir a testagem nos momentos recomendados pelos protocolos de saúde. O tratamento deve começar o mais cedo possível após o diagnóstico, com acompanhamento da equipe de saúde. As parcerias sexuais também precisam ser avaliadas, testadas e tratadas, conforme indicação profissional, para prevenir a reinfecção durante a gestação.

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