Ginecologia Regenerativa é alternativa para lidar com impactos do tratamento do câncer de mama na saúde íntima

As alterações hormonais provocadas pelo tratamento vão além dos sinais visíveis FOTO: SHVETS Production/Pexels

 

Da Redação

O tratamento do câncer de mama pode deixar marcas que vão além do período da doença. Para muitas mulheres, os efeitos da quimioterapia e do uso de bloqueadores hormonais também repercutem na saúde íntima, trazendo mudanças que podem afetar o conforto, a autoestima, a vida sexual e a qualidade de vida.

Os problemas são decorrentes, principalmente, das mudanças hormonais provocadas pelo tratamento, segundo a ginecologista Israelina Tavares, especialista em cirurgia íntima e ginecologia regenerativa. “Os tratamentos do câncer de mama podem afetar a região íntima de diferentes maneiras, provocando secura e atrofia vaginal, fissuras, dor durante a relação sexual e alterações na libido. Também podem surgir ardência, perda urinária e infecções urinárias recorrentes. Esses sintomas podem comprometer a qualidade de vida e precisam ser avaliados”, explica.

Ginecologia regenerativa 

As alterações podem estar relacionadas à Síndrome Geniturinária da Menopausa (SGM), condição que pode surgir durante a menopausa e também ser desencadeada pelos tratamentos oncológicos. Para mulheres que passaram pelo câncer de mama, a escolha da terapia exige atenção especial.

“A terapia de reposição hormonal sistêmica tradicional costuma ser contraindicada nesses casos para evitar a recidiva de tumores sensíveis a hormônios. Nesse cenário, a ginecologia regenerativa reúne alternativas não hormonais que podem ser consideradas de acordo com a avaliação médica e as necessidades de cada paciente”, destaca a especialista.

Entre os recursos estão o laser de CO₂, a radiofrequência microablativa, o ultrassom microfocado e cremes e hidratantes vaginais à base de ácido hialurônico. A ginecologista detalha como o  laser de CO₂ pode ser utilizado no tratamento das alterações provocadas pela atrofia vaginal.

“O laser íntimo é uma tecnologia não invasiva que atua na mucosa vaginal, estimulando a produção de elastina e fibroblastos e aumentando o colágeno local, o que pode melhorar a lubrificação, a firmeza e a elasticidade da vagina. A aplicação é feita no consultório e a sessão dura em torno de 20 minutos. Geralmente, são indicadas três a cinco sessões, cada uma com intervalo de 30 dias. Seus efeitos perduram por, pelo menos, um ano, sendo necessária uma manutenção anual”, destaca a médica Israelina Tavares.

A radiofrequência microablativa utiliza ondas eletromagnéticas para aquecer as camadas do tecido. O estímulo térmico melhora a circulação local e o tônus vaginal. Já o ultrassom microfocado utiliza ondas de ultrassom altamente focalizadas para produzir calor controlado em camadas mais profundas da parede vaginal ou vulvar, indicado principalmente quando há também queixa de flacidez do canal vaginal e incontinência urinária. Os tratamentos podem ser combinados de acordo com as queixas e as necessidades de cada paciente.

Um cuidado além das tecnologias

O cuidado com os efeitos do tratamento do câncer de mama não deve se limitar às tecnologias. Segundo Israelina Tavares, a abordagem pode envolver também terapia sexual, acompanhamento psicológico e fisioterapia pélvica.

“Esses recursos podem fazer parte de um cuidado individualizado, considerando os impactos físicos e emocionais provocados pelo terapia. Os efeitos colaterais do tratamento do câncer são difíceis de prevenir, mas é possível minimizar o desconforto. O mais importante é que a mulher não silencie sobre os sintomas e procure ajuda para que eles sejam avaliados e tratados de acordo com as suas necessidades. O Outubro Rosa também é um momento para ampliar a conversa sobre o período que vem depois do diagnóstico e do tratamento”, declara Israelina Tavares.

 

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