
Da Redação
A Moderna Inc e a MSD, anunciaram os resultados de uma vacina experimental baseada em RNA mensageiro (mRNA) que reduziu em 65% o risco de metástases à distância de melanoma. Trata-se do câncer de pele mais letal e a comparação é baseada no tratamento apenas com a imunoterapia.
Os resultados, apresentados este mês na última reunião da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO), em Chicago, nos Estados Unidos, são mais promissores que os apresentados anteriormente, que indicavam uma redução de 44% no risco de recorrência ou morte em pacientes com melanoma.
As descobertas se somam a um crescente conjunto de evidências sugerindo que a tecnologia de mRNA, que se destacou durante a pandemia da Covid-19, pode ser usada para desenvolver vacinas personalizadas. Elas preparam o sistema imunológico do paciente para atacar o tipo específico de células cancerígenas do tumor daquele paciente.
“Estamos entusiasmados em compartilhar esses resultados com a comunidade oncológica e animados em ver um resultado tão excepcional em reduzir a chance de recorrência ou morte de melanoma”, declarou Kyle Holen, MD, vice-presidente sênior e chefe de desenvolvimento, terapêutica e oncologia da Moderna. Segundo ele, os pacientes com metástase normalmente têm piores resultados de sobrevida e um prognóstico ruim. “Portanto, esses resultados mostrando uma redução no risco de recorrência à distância, ressaltam o potencial da terapia com neoantígenos”, completou.
De acordo com Holen, os resultados se somam ao quadro emergente de como a terapia individualizada de neoantígenos, por meio dessas vacinas, pode avançar o tratamento do melanoma. E ainda representar uma promessa para outros tipos de câncer. Juntamente com a MSD, estamos avançando rapidamente em nossos esforços para levar essa inovação para os pacientes.”
“Com a divulgação dos últimos resultados, desejamos seguir ainda neste ano, em parceria com a Moderna, para a Fase 3 do estudo”, comentou a Dra. Márcia Abadi, Diretora Médica da MSD. “A expectativa é ajudar os pacientes com a doença em estágio III e IV, que tem alto risco de ter a volta do câncer ou metástase em outras regiões do corpo”, acrescentou.
Com base nos dados do estudo KEYNOTE-942/mRNA-4157-P201, a Food and Drug Administration (FDA) dos EUA e a Agência Europeia de Medicamentos concederam a Designação de Terapia Inovadora e o esquema de Medicamentos Prioritários (PRIME), respectivamente, para vacina mRNA-4157 (V940) em combinação com Keytruda, para o tratamento adjuvante de pacientes com melanoma de alto risco após ressecção completa.
Os eventos adversos relatados com mRNA-4157 (V940) no KEYNOTE-942 foram consistentes com os observados anteriormente em um ensaio clínico de Fase 1. O perfil de segurança de Keytruda foi consistente com os achados de estudos anteriores. O número de pacientes que relataram eventos adversos de Grau ≥ 3 relacionados ao tratamento foram semelhantes entre os braços (25% vs 18%, respectivamente). Os eventos adversos mais comuns de qualquer grau atribuídos ao mRNA-4157 (V940) ou à combinação de mRNA-4157 (V940) e Keytruda foram: fadiga (60,6%), dor no local da injeção (55,8%) e calafrios (50,0%)
Terapias com mRNA-4157 (V940)
O mRNA-4157 (V940) é uma nova terapia individualizada de neoantígenos baseada em ácido ribonucleico mensageiro (mRNA). As terapias individualizadas de neoantígenos são desenvolvidas para estimular o sistema imunológico, possibilitando que o paciente gere uma resposta antitumoral específica. O mRNA-4157 (V940) é desenvolvido para estimular a resposta imune, gerando respostas específicas de células T com base na assinatura mutacional única do tumor de um paciente.
Keytruda é uma imunoterapia que funciona aumentando a capacidade do sistema imunológico do corpo para combater as células tumorais. Com base em estudos clínicos iniciais, a combinação de mRNA-4157 (V940) com Keytruda pode potencialmente fornecer um benefício aditivo e aumentar a destruição mediada por células T de células tumorais.
Sobre o melanoma
O melanoma, a forma mais grave de câncer de pele, é caracterizado pelo crescimento descontrolado de células produtoras de pigmento. A ocorrência de melanoma vêm aumentando nas últimas décadas, com quase 325 mil novos casos diagnosticados em todo o mundo em 2020.
O Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima que para cada ano do triênio 2023/2025 sejam diagnosticados no Brasil 8.980 novos casos de câncer de pele tipo melanoma (4.640 em homens e 4.340 em mulheres). Esses valores correspondem a um risco estimado de 4,37 casos novos a cada 100 mil homens e 3,90 para cada 100 mil mulheres (INCA 23/11/2022). Estudos mostram uma tendência de aumento nas taxas do câncer de pele melanoma nos últimos anos, mas que esse aumento varia com a idade das pessoas diagnosticadas.
O melanoma é 20 vezes mais frequente em pessoas de raça branca do que em pessoas negras. Em geral, o risco de melanoma é de cerca de 2,6% em brancos, 0,1% em negros e 0,6% em hispânicos. Entretanto, esse risco pode ser afetado por uma série de fatores de risco individuais. O melanoma é mais comum entre os homens, mas antes dos 50 anos as taxas são mais altas entre as mulheres.
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