No Dia Mundial de Combate às Hepatites Virais, especialista alerta que a ausência de sintomas continua sendo um dos principais obstáculos para o diagnóstico precoce. Com tratamento eficaz e vacina para alguns tipos da doença, a informação ainda é a principal ferramenta para reduzir novos casos e evitar complicações graves como cirrose e câncer de fígado
Há doenças que anunciam sua chegada com dor, febre ou mal-estar. As hepatites virais seguem o caminho oposto. Instalam-se de forma silenciosa, comprometem lentamente um dos órgãos mais importantes do organismo e, muitas vezes, só são descobertas quando o fígado já apresenta lesões irreversíveis. Esse comportamento discreto explica por que elas permanecem entre os maiores desafios da saúde pública mundial, mesmo diante dos avanços no diagnóstico, na vacinação e nos tratamentos disponíveis.
Celebrado em 28 de julho, o Dia Mundial de Combate às Hepatites Virais não existe apenas para lembrar a existência da doença, mas para chamar atenção para um inimigo invisível. Em boa parte dos casos, especialmente nas hepatites B e C, o vírus pode permanecer ativo durante décadas sem provocar qualquer sintoma perceptível. Enquanto a rotina segue normalmente, o processo inflamatório continua evoluindo e aumentando o risco de fibrose, cirrose e carcinoma hepatocelular, o tipo mais frequente de câncer de fígado.
Para o gastroenterologista Justiniano Luna, diretor técnico da Clínica Endogastro Recife, o grande desafio não é apenas tratar a doença, mas fazer com que ela seja identificada antes das complicações.
“O maior problema das hepatites virais é que elas não costumam avisar que estão presentes. Muitas pessoas descobrem a infecção durante exames de rotina ou quando já apresentam alterações importantes no fígado. Felizmente, hoje dispomos de testes rápidos, exames laboratoriais e tratamentos altamente eficazes, mas o diagnóstico ainda precisa acontecer mais cedo”.
Quando o fígado adoece em silêncio

O fígado participa de centenas de funções essenciais para o organismo. Atua no metabolismo dos nutrientes, produz proteínas importantes para a coagulação do sangue, armazena vitaminas, participa da digestão das gorduras e elimina substâncias tóxicas. Apesar dessa intensa atividade, possui uma característica que dificulta o reconhecimento das doenças: consegue continuar funcionando mesmo após sofrer danos significativos.
Esse mecanismo de compensação faz com que muitas pessoas permaneçam anos sem qualquer manifestação clínica. Quando surgem sintomas como pele amarelada, cansaço persistente, aumento do volume abdominal ou perda de peso, frequentemente a doença já atingiu um estágio avançado.
Segundo Justiniano Luna, essa é justamente a razão para ampliar o rastreamento das hepatites.
“Esperar sintomas para investigar uma hepatite é um erro. A medicina atual trabalha com prevenção e diagnóstico precoce. Quanto mais cedo identificamos a infecção, maiores são as chances de interromper a evolução da doença e preservar completamente a função do fígado”.
Uma doença que já pode ser prevenida e, em muitos casos, curada
Embora existam diferentes tipos de hepatites virais, os vírus B e C concentram a maior preocupação devido ao potencial de cronificação. A hepatite B pode ser evitada por meio da vacinação, disponível gratuitamente no Sistema Único de Saúde, enquanto a hepatite C, apesar de ainda não possuir vacina, apresenta índices de cura superiores a 95% com os medicamentos atualmente disponíveis.
O especialista destaca que esse cenário transformou completamente o enfrentamento da doença nos últimos anos. O desafio deixou de ser apenas terapêutico e passou a ser principalmente de acesso ao diagnóstico.
“Hoje temos recursos para evitar a hepatite B e medicamentos capazes de eliminar o vírus da hepatite C na grande maioria dos pacientes. O que ainda falta é que mais pessoas façam os exames. Não basta existir tratamento se o paciente desconhece que está infectado”.
Informação continua sendo uma ferramenta de saúde pública

A Organização Mundial da Saúde estabeleceu como meta eliminar as hepatites virais como problema de saúde pública nas próximas décadas. Para isso, a estratégia depende da ampliação da vacinação, da testagem e do acesso ao tratamento.
No Brasil, especialistas reforçam que a conscientização ainda representa um dos pilares dessa política. Muitas pessoas nunca realizaram um exame para hepatite, mesmo tendo sido submetidas a procedimentos médicos antigos, transfusões realizadas antes da implantação dos testes modernos, tatuagens, piercings ou outras situações de exposição ao longo da vida.
A data representa um convite para olhar para uma doença que continua silenciosa, mas que já não precisa permanecer invisível. Quanto antes o vírus for identificado, menores serão as chances de evolução para insuficiência hepática, cirrose ou câncer de fígado.
“As hepatites virais deixaram de ser uma sentença quando são diagnosticadas precocemente. A informação, a vacinação, os exames e o acompanhamento médico permitem mudar completamente a história natural da doença. É isso que torna o Dia Mundial de Combate às Hepatites Virais tão importante”.
| Cinco fatos que todo mundo deveria saber sobre as hepatites virais
- Nem toda hepatite provoca sintomas
A maioria das infecções pode permanecer silenciosa durante anos. - O fígado continua funcionando mesmo lesionado
Isso faz com que muitas pessoas descubram a doença apenas em fases avançadas. - Existe vacina contra a hepatite B
A imunização está disponível gratuitamente pelo SUS e é uma das formas mais eficazes de prevenção. - A hepatite C tem altas taxas de cura
Os tratamentos atuais eliminam o vírus na maioria dos pacientes. - Um exame de sangue pode mudar uma vida
O diagnóstico precoce reduz significativamente o risco de cirrose, insuficiência hepática e câncer de fígado.
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SOBRE – A Endogastro Recife é um serviço especializado em gastroenterologia e endoscopia digestiva, com atuação em diagnóstico, tratamento e acompanhamento de doenças do aparelho digestivo. Com mais de 45 anos de mercado, a instituição também mantém a Endogastro Academy, iniciativa voltada à educação continuada de profissionais da saúde por meio de cursos, simpósios e atividades de atualização científica. A Endogastro Recife integra o Grupo Evipar, holding empresarial com atuação em desenvolvimento imobiliário, agronegócio, energia renovável e saúde.

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