Dia do Oftalmologista destaca a campanha Maio Verde de combate ao glaucoma

Por Etiene Ramos

 

O Dia do Oftalmologista, comemorado neste 7 de maio, ressalta a importância deste médico para a saúde ocular e acontece no mesmo mês da campanha Maio Verde de combate ao glaucoma. A doença é a principal causa de cegueira irreversível no Brasil e responde por cerca de 7,7 milhões de casos de deficiência visual e cegueira no mundo.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Oftalmologia, ela atinge cerca de 20% dos idosos com mais de 75 anos. Entre os que têm mais de 40 anos, o percentual é de 3% a 4% dos pacientes.

A campanha Maio Verde reúne entidades médicas, hospitais e instituições públicas e privadas para esclarecer a população sobre os fatores que levam ao glaucoma, lembrando que, se não tratados, podem surpreender com a perda total da visão.

Sem sintomas, o glaucoma avança em silêncio e quando o paciente vai ao médico, na maior parte dos casos, já está sem enxergar, pela degeneração do nervo óptico, responsável pela visão.

Mas a prevenção, com visitas anuais ao oftalmologista, pode evitar a evolução dos vários tipos de glaucoma, que é progressivo e pode ser estacionado com tratamento específico.
“O primeiro sinal da doença é a perda de visão. Pessoas com histórico familiar positivo de glaucoma têm até seis vezes mais chances de desenvolver a doença. Se apresentarem alteração sugestiva no nervo óptico ou pressão elevada do olho, temos que focar no tratamento para prevenir o risco de cegueira”, explica a oftalmologista Andrea Sarmento. Mas embora muitas pessoas relacionam o glaucoma ao aumento da pressão ocular, a médica alerta que existe o glaucoma de pressão normal e recomenda que se faça uma consulta anual ao oftalmologista, mesmo sem sintomas de algum problema na visão.

Segundo ela, a investigação deve começar a partir dos 40 anos, especialmente em portadores de miopia e pessoas negras. No caso dos míopes, ela explica que por ter um nervo óptico mais sofrido e, por isso, mais susceptível, e nos negros porque existe uma maior pigmentação no angulo camerular (da câmara anterior do olho). “Como o Brasil é um país de alta miscigenação, nossa população tem mais chance de ter glaucoma. Quanto mais pigmentada for a pele, maior o risco. Mas o glaucoma pode aparecer em qualquer idade e em qualquer etnia”, observa.

O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece programas de prevenção ao glaucoma por meio de fundações como a Altino Ventura e o Centro Ermírio de Moraes, ambas no Recife. O atendimento é gratuito mas não cobre a alta demanda da capital, procurada por pacientes de outras cidades de Pernambuco.

Por mais avançados que estejam os tratamentos e medicamentos, a oftalmologista reforça que não há cirurgia para reverter o glaucoma. “A cirurgia é reservada para casos em que não se consegue controlar a pressão com remédios, com controle clínico. Isto porque quando o paciente ainda enxerga, a visão que está sendo perdida pode evoluir de forma mais acentuada”, explica Andrea Sarmento.

Mas, segundo ela, é possível viver com o glaucoma estável, evitando os picos de pressão que farão o nervo sofrer. No entanto, a doença, em muitos pacientes apresenta uma curva para a perda ascendente muito rápida, que pode evoluir para cegueira em cerca de cinco anos.

Seja o primeiro a comentar

Faça um comentário

Seu e-mail não será divulgado.


*